Eu tenho uma paixão tão grande no meu peito
que implode-me em desejo
e eu já não sei onde vai dar.
Há quem diga que paixão é sinônimo de medo
e há quem afirme que o medo é sonoro
para aqueles que não ousam se entregar.
Na recusa da entrega,
seguem amantes, delirantes, afobados
sem rumo, num caminho amaldiçoado,
de perda e teorias.
Teorias diagnosticadas
em peitos palpitantes,
vasos estourados,
amor delirante.
Encontro-me no derrame
de quem se esquece perdido
no desejo louco e varrido
de um peito inchado de amar.
Sufocado em medo,
afogado em paixão,
preso em celas
de um segredo
em meio a multidão.
Multidão de doentes
apaixonados loucamente,
entregues ao desejo
que os consome por dentro
sem jamais se revelar.
domingo, 10 de novembro de 2013
domingo, 27 de outubro de 2013
Se você
Se você soubesse do que meu amor é feito
deixaria de procurar defeitos
e os mínimos erros
seriam teu norte e teu sul.
Se você compreendesse
que o suor escapa do corpo para encontrar outro corpo
e que o beijo é sempre o mesmo
e que o que muda é o amor,
não deixaria escapar a oportunidade
de ter liberdade de amar.
Ah, se você fosse mais você
e não ligasse para o que os outros pensam,
correria para o meu abraço
e não deixaria correr o ponteiro.
Afinal, se já não temos muito tempo,
por que continuamos a perdê-lo?
Ora, venha logo me encontrar em ti.
deixaria de procurar defeitos
e os mínimos erros
seriam teu norte e teu sul.
Se você compreendesse
que o suor escapa do corpo para encontrar outro corpo
e que o beijo é sempre o mesmo
e que o que muda é o amor,
não deixaria escapar a oportunidade
de ter liberdade de amar.
Ah, se você fosse mais você
e não ligasse para o que os outros pensam,
correria para o meu abraço
e não deixaria correr o ponteiro.
Afinal, se já não temos muito tempo,
por que continuamos a perdê-lo?
Ora, venha logo me encontrar em ti.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Sobre ser grata
Quem poderá ser verdadeiramente grato ao amor
Quando tão pouco se sabe amar?
Será possível agradecer a quem se ama
Pelo amor dado de bom grado
Pelo olhar, pelo afago,
Sem o desabafo de contar
Que o amor pode ser muito maior
Do que o amado se põe a sonhar?
Gratidão é matéria líquida
É amor diluído em sorrisos e olhares
É o brilho em meio às sombras da desesperança
É arpão que atravessa o casco de quem se recusa amar.
Como alguém pode recusar o amor?
Nos seus olhos
A cada dia vejo meu sorriso espelhado
E no seu sorriso vejo certo amor estampado.
Nos olhos dela
Vejo a luz de quem ama
Sem precisar ser correspondida.
Das bocas deles
Ouço as palavras necessárias
Para seguir pelas estradas da vida.
A ti, a ela, a vós sou grata
Pelos sorrisos, olhares e vozes
De quem pouco fala que ama
E muito demonstra que transcende.
A gratidão está presente
na forma de demonstrar o amor que se sente.
Quando tão pouco se sabe amar?
Será possível agradecer a quem se ama
Pelo amor dado de bom grado
Pelo olhar, pelo afago,
Sem o desabafo de contar
Que o amor pode ser muito maior
Do que o amado se põe a sonhar?
Gratidão é matéria líquida
É amor diluído em sorrisos e olhares
É o brilho em meio às sombras da desesperança
É arpão que atravessa o casco de quem se recusa amar.
Como alguém pode recusar o amor?
Nos seus olhos
A cada dia vejo meu sorriso espelhado
E no seu sorriso vejo certo amor estampado.
Nos olhos dela
Vejo a luz de quem ama
Sem precisar ser correspondida.
Das bocas deles
Ouço as palavras necessárias
Para seguir pelas estradas da vida.
A ti, a ela, a vós sou grata
Pelos sorrisos, olhares e vozes
De quem pouco fala que ama
E muito demonstra que transcende.
A gratidão está presente
na forma de demonstrar o amor que se sente.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Bagagem
Deve-se pensar
se a experiência advinda da idade
não acaba por matar
a esperança dos mais velhos.
Aprofundemos e pensemos
se acaso não é a impulsividade da juventude
que move o mundo,
pois no jovem
o medo de errar
é diretamente proporcional
à quantia de verões.
Não desfaço da bagagem
que trazes,
menos jovem senhor,
mas questiono
se esta mala abarrotada de medos e experiências
não pesa demais
quando precisas correr para pegar o trem.
Nós,
mais jovens,
carregamos cargas mais leves
de experiências talvez menos experientes,
e dramas mais intensos.
Nós, mais jovens,
trazemos os olhos rasos d'água,
somos propensos a derramar mais lágrimas,
talvez por sermos menos embrutecidos.
E acaso não são as águas
que movem os moinhos?
Alegre-se, senhor,
por nossa carga ser mais leve.
Não, não nos menospreze.
No fundo
somos todos jovens,
mas nós,
mais jovens,
somos mais leves,
quase lebres
a tentar saltar sobre os muros
que rodeiam tua essência.
Obrigada por tudo que ensinastes,
senhor.
Tuas experiências muito nos valem,
mas nossas esperanças muito nos movem.
Venha, senhor,
alivie-se um pouco de sua bagagem.
O trem logo parte,
e queremos nós todos dentro dele.
A estação final ainda não está definida,
mas tem um nome qualquer
quase semelhante a "vida".
Se não me engano, senhor,
a estação é Primavera.
se a experiência advinda da idade
não acaba por matar
a esperança dos mais velhos.
Aprofundemos e pensemos
se acaso não é a impulsividade da juventude
que move o mundo,
pois no jovem
o medo de errar
é diretamente proporcional
à quantia de verões.
Não desfaço da bagagem
que trazes,
menos jovem senhor,
mas questiono
se esta mala abarrotada de medos e experiências
não pesa demais
quando precisas correr para pegar o trem.
Nós,
mais jovens,
carregamos cargas mais leves
de experiências talvez menos experientes,
e dramas mais intensos.
Nós, mais jovens,
trazemos os olhos rasos d'água,
somos propensos a derramar mais lágrimas,
talvez por sermos menos embrutecidos.
E acaso não são as águas
que movem os moinhos?
Alegre-se, senhor,
por nossa carga ser mais leve.
Não, não nos menospreze.
No fundo
somos todos jovens,
mas nós,
mais jovens,
somos mais leves,
quase lebres
a tentar saltar sobre os muros
que rodeiam tua essência.
Obrigada por tudo que ensinastes,
senhor.
Tuas experiências muito nos valem,
mas nossas esperanças muito nos movem.
Venha, senhor,
alivie-se um pouco de sua bagagem.
O trem logo parte,
e queremos nós todos dentro dele.
A estação final ainda não está definida,
mas tem um nome qualquer
quase semelhante a "vida".
Se não me engano, senhor,
a estação é Primavera.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Escaras que libertam,
Escadas que elevam,
Estafas que ensinam,
Eis-me aqui,
Aprendiz da vida.
O sangramento não é mais
Que pulso firme de vida
A correr pelo corpo
E além deste.
As palavras nada mais são
Que ventos dirigidos
a partidos
E razões.
Não sou barreira
Para impedir que teu olhar me atravesse.
Não sou ribeira
A escoar para ti
As águas que brotam de mim.
Mas sou vida
E ampla
Viga
Manta
Que te cobrirá
Quando de acalanto precisar.
Sou céu,
Seu,
Um mel
nem tão doce assim.
Bem-querer de mim.
Escadas que elevam,
Estafas que ensinam,
Eis-me aqui,
Aprendiz da vida.
O sangramento não é mais
Que pulso firme de vida
A correr pelo corpo
E além deste.
As palavras nada mais são
Que ventos dirigidos
a partidos
E razões.
Não sou barreira
Para impedir que teu olhar me atravesse.
Não sou ribeira
A escoar para ti
As águas que brotam de mim.
Mas sou vida
E ampla
Viga
Manta
Que te cobrirá
Quando de acalanto precisar.
Sou céu,
Seu,
Um mel
nem tão doce assim.
Bem-querer de mim.
domingo, 18 de agosto de 2013
Declaração
Meu amor,
Que seria de mim
Se, sem ti,
Eu vivesse?
Que mais poderia sentir
Fruto desse amor
Que flui livre
Em teus olhos
Nos quais
Meus olhos repousam?
Em teu colo encontrei alento
Em teu alento encontrei-me jovem
Fruto da sede de bem querer-te.
És meu repouso,
Minha mortalha.
Qualquer serenata que valha
Um sorriso teu.
Encontro-te
Em cada brisa a refrescar-me a face
Pois que carregas
O frescor dos tempos
Distantes.
Como é bom
Sermos
Amantes.
Mesmo que não saibas
De todo o meu carinho
Entenda que sozinho
Não poderei me deixar viver.
Visto que teu ar
Segreda em meus pulmões
A vida que em ti
Corre em serpentina.
Sozinha
Jamais estarás.
É teu meu canto,
Meu rebanho,
Meu infantil medo
De te perder.
É tua a minha alma
Assombrada e cansada
Extasiada ao te observar de longe.
São tuas minhas carícias
Tímidas
E com a malícia
Que só eu,
Pretencioso,
Te entrego.
Me entrego.
Sou teu,
Amor meu,
prisioneiro liberto
de teu manhoso coração
terça-feira, 13 de agosto de 2013
O filho do seu Amaro
Caminhava, embebecido pela noite, o filho do seu Amaro. O filho partia sozinho em busca de respostas que antes não lhe foram respondidas. Como era imenso o céu que pairava sobre ele. Sentia alguma falta do grande amor que perdera meses atrás, vítima de uma paixão avassaladora que a havia levado para longe dali. Os boatos diziam que ela estava no Piauí. E ele ali, filho, extremamente admirado pelas estrelas. Seu Amaro não sabia mais o que fazer; sabia que seu filho não enlouquecera com a partida do grande amor, porque sempre fôra louco. Mas como podia ele ainda sorrir, sendo vítima dos buchichos das janeleiras do bairro? Seu Amaro não entendia como podia seu filho sentar com os mexeriqueiros plantonistas e colocar-se a rir de si mesmo na companhia dos outros.
O filho do seu Amaro não derrubara uma lágrima. Simplesmente abaixara a cabeça enquanto seu amor negava o amor que ele sempre lhe dera. Ele apenas sorria. E enquanto mostrava os dentes, sua noiva reclamava do seu sempre sorriso. Ele vivia sorrindo. E como ela poderia conviver com alguém que só sabia sorrir? Tal pessoa jamais seria levada a sério. Sendo ela moça séria e direita, comportada e de sandália, não poderia conviver com um risonho. Talvez por isso tenha se apaixonado por um soldado.
Quando ela partiu, o filho do seu Amaro sentiu um vazio. Mas este logo foi preenchido pelo brilho das estrelas que habitavam o céu do interior. Ele nunca tinha se dado conta de quantas estrelas moravam na imensidão do firmamento. Em sua cabeça juntou o brilho de cada uma delas e percebeu que o vazio agora era mais iluminado do que os olhos do seu amor. Descoberto isso, de pronto seu coração sossegou. Mas seu Amaro não sossegava. Sabia que não era normal uma dor de amor se curar tão rápido. Sabia disso porque ainda carregava consigo a dor da partida da esposa. Esta fôra para um lugar mais longe que o Piauí, um lugar de vários nomes, muitos lugares e nenhuma certeza. Uma partida sem volta.
E seu Amaro se preocupava. Puxava qualquer assunto mórbido para conversar com o filho: das tragédias do jornal das oito à queda do dólar. Mesmo assim, diante das mais trágicas histórias, o filho sorria, afligindo ainda mais o pai. Se antes já era louco, o que haveria de ser agora?
Porém, o filho continuava a sorrir. Ria da preocupação excessiva de seu Amaro. Sorria, porque sorrir foi o único remédio que lhe restara, diante de todas as preocupações e desassossegos que antes lhe rasgaram a alma. Entendia que a vida era caminho sem volta. Caminho duro, pesado , mas era o único caminho que existia. Afinal, se podia sorrir, era sinal de que estava vivo... E caminhando. Sorte a dele que no seu caminho existia a noite com suas estrelas a preencher o vazio. Caminhava sorrindo.
O filho do seu Amaro não derrubara uma lágrima. Simplesmente abaixara a cabeça enquanto seu amor negava o amor que ele sempre lhe dera. Ele apenas sorria. E enquanto mostrava os dentes, sua noiva reclamava do seu sempre sorriso. Ele vivia sorrindo. E como ela poderia conviver com alguém que só sabia sorrir? Tal pessoa jamais seria levada a sério. Sendo ela moça séria e direita, comportada e de sandália, não poderia conviver com um risonho. Talvez por isso tenha se apaixonado por um soldado.
Quando ela partiu, o filho do seu Amaro sentiu um vazio. Mas este logo foi preenchido pelo brilho das estrelas que habitavam o céu do interior. Ele nunca tinha se dado conta de quantas estrelas moravam na imensidão do firmamento. Em sua cabeça juntou o brilho de cada uma delas e percebeu que o vazio agora era mais iluminado do que os olhos do seu amor. Descoberto isso, de pronto seu coração sossegou. Mas seu Amaro não sossegava. Sabia que não era normal uma dor de amor se curar tão rápido. Sabia disso porque ainda carregava consigo a dor da partida da esposa. Esta fôra para um lugar mais longe que o Piauí, um lugar de vários nomes, muitos lugares e nenhuma certeza. Uma partida sem volta.
E seu Amaro se preocupava. Puxava qualquer assunto mórbido para conversar com o filho: das tragédias do jornal das oito à queda do dólar. Mesmo assim, diante das mais trágicas histórias, o filho sorria, afligindo ainda mais o pai. Se antes já era louco, o que haveria de ser agora?
Porém, o filho continuava a sorrir. Ria da preocupação excessiva de seu Amaro. Sorria, porque sorrir foi o único remédio que lhe restara, diante de todas as preocupações e desassossegos que antes lhe rasgaram a alma. Entendia que a vida era caminho sem volta. Caminho duro, pesado , mas era o único caminho que existia. Afinal, se podia sorrir, era sinal de que estava vivo... E caminhando. Sorte a dele que no seu caminho existia a noite com suas estrelas a preencher o vazio. Caminhava sorrindo.
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