Deve-se pensar
se a experiência advinda da idade
não acaba por matar
a esperança dos mais velhos.
Aprofundemos e pensemos
se acaso não é a impulsividade da juventude
que move o mundo,
pois no jovem
o medo de errar
é diretamente proporcional
à quantia de verões.
Não desfaço da bagagem
que trazes,
menos jovem senhor,
mas questiono
se esta mala abarrotada de medos e experiências
não pesa demais
quando precisas correr para pegar o trem.
Nós,
mais jovens,
carregamos cargas mais leves
de experiências talvez menos experientes,
e dramas mais intensos.
Nós, mais jovens,
trazemos os olhos rasos d'água,
somos propensos a derramar mais lágrimas,
talvez por sermos menos embrutecidos.
E acaso não são as águas
que movem os moinhos?
Alegre-se, senhor,
por nossa carga ser mais leve.
Não, não nos menospreze.
No fundo
somos todos jovens,
mas nós,
mais jovens,
somos mais leves,
quase lebres
a tentar saltar sobre os muros
que rodeiam tua essência.
Obrigada por tudo que ensinastes,
senhor.
Tuas experiências muito nos valem,
mas nossas esperanças muito nos movem.
Venha, senhor,
alivie-se um pouco de sua bagagem.
O trem logo parte,
e queremos nós todos dentro dele.
A estação final ainda não está definida,
mas tem um nome qualquer
quase semelhante a "vida".
Se não me engano, senhor,
a estação é Primavera.
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