A menina deixou de sonhar e passou a agir.
Transcendeu, cresceu, explodiu.
Na explosão, sorriu, leve e docemente
E se abriu em primaveras ensolaradas.
Os sonhos se tornaram escassos,
Pois muito sonhara e pouco conquistara.
Pôs a mão na massa,
Bateu o pé
E marchou em voz, suor, lágrima e dor.
Cantou, investiu, quase desistiu.
Questionou-se tantas vezes
Que sonhou com as questões.
A dúvida ficou de um lado,
A certeza ficou do outro
E, no meio delas, se entregou ao mundo torto.
Não tinha certeza se conseguiria
Não tinha certeza se falharia
Não tinha certeza de que era certo deixar de sonhar,
Mas agindo conquistou o universo.
Ele se tornou seu.
As estrelas brilharam só para ela,
A luz dissipou a sombra que a rodeava,
E ela curtiu, apenas curtiu
E abriu a porta que para ela se fechara.
Entrou, arrasou, triunfou
Tornou-se forte,
Desfez-se da morte
E adiante não hesitou.
Continuou
Guerreira
A lutar contra a dor.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Quero o pouquinho de você que seja suficiente para lavar-me a alma.
O pouco que baste e mate de vez a saudade.
No fundo, quero uma dose letal,
Um momento fatal
só contigo, sem perigo algum de ser esquecido.
Quero uma foto solta
descolada do álbum.
Quero fazer dos seus segredos os meus segredos.
Perder o medo, todo medo.
Gritar bem alto,
descer do salto.
Sorrir na tua felicidade,
cuidar da sua tristeza,
ter toda a certeza
de que no seu lugar
eu vou estar,
assim como em meu lar você estará.
O pouco que baste e mate de vez a saudade.
No fundo, quero uma dose letal,
Um momento fatal
só contigo, sem perigo algum de ser esquecido.
Quero uma foto solta
descolada do álbum.
Quero fazer dos seus segredos os meus segredos.
Perder o medo, todo medo.
Gritar bem alto,
descer do salto.
Sorrir na tua felicidade,
cuidar da sua tristeza,
ter toda a certeza
de que no seu lugar
eu vou estar,
assim como em meu lar você estará.
terça-feira, 27 de março de 2012
Cântico de esperança do povo
Na terra caminharei rumo ao horizonte
levando meu canto a todos os cantos,
resgatando as vítimas do cárcere,
quebrando as algemas niqueladas.
Travarei as batalhas
que forem necessárias
para reaver as vidas roubadas
e construir os pilares da esperança.
A esperança de que a justiça
deixará de ser cegamente injusta,
e que quebrará a balança
sem medidas.
A balança que não tara
o peso da minha luta,
o massa da minha massa,
a grama da minha terra.
Varrerei o solo profanado pelo veneno
dos homens-Brutus,
lavarei o sangue que foi jorrado
em tantos massacres sujos.
Irrigarei a terra com meu suor,
limparei os rios com as minhas lágrimas,
e neles meus filhos brincarão em paz.
Sem ter medo de gritar,
sem ter medo de chorar,
sem ter medo de viver.
Todo o medo que vivi,
toda a barbárie que sofri
ficará registrada na verdadeira história,
sem brechas, sem mentiras, sem vergonhas.
As pontes do meu caminho
serão construídas com os tijolos e madeiras
das minhas periferias devastadas.
As casas serão palácios e não serei mais servo,
não existirão mais servos.
Não serei condenado,
conhecerei a liberdade que só vi pela janela
ou pela tela de algum outro mundo.
Nadarei nas águas que me foram proibidas,
saciarei minha sede
e matarei minha fome,
e nada irá me impedir
de conquistar tudo aquilo que
foi roubado de mim.
Atentem inimigos
que me traíram e me condenaram,
me massacraram e torturaram:
a luta não acabou!
E, com a fé que tenho em mim,
seguirei até o fim!
resgatando as vítimas do cárcere,
quebrando as algemas niqueladas.
Travarei as batalhas
que forem necessárias
para reaver as vidas roubadas
e construir os pilares da esperança.
A esperança de que a justiça
deixará de ser cegamente injusta,
e que quebrará a balança
sem medidas.
A balança que não tara
o peso da minha luta,
o massa da minha massa,
a grama da minha terra.
Varrerei o solo profanado pelo veneno
dos homens-Brutus,
lavarei o sangue que foi jorrado
em tantos massacres sujos.
Irrigarei a terra com meu suor,
limparei os rios com as minhas lágrimas,
e neles meus filhos brincarão em paz.
Sem ter medo de gritar,
sem ter medo de chorar,
sem ter medo de viver.
Todo o medo que vivi,
toda a barbárie que sofri
ficará registrada na verdadeira história,
sem brechas, sem mentiras, sem vergonhas.
As pontes do meu caminho
serão construídas com os tijolos e madeiras
das minhas periferias devastadas.
As casas serão palácios e não serei mais servo,
não existirão mais servos.
Não serei condenado,
conhecerei a liberdade que só vi pela janela
ou pela tela de algum outro mundo.
Nadarei nas águas que me foram proibidas,
saciarei minha sede
e matarei minha fome,
e nada irá me impedir
de conquistar tudo aquilo que
foi roubado de mim.
Atentem inimigos
que me traíram e me condenaram,
me massacraram e torturaram:
a luta não acabou!
E, com a fé que tenho em mim,
seguirei até o fim!
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Uma pimenta que não arde aos olhos e que é doce aos ouvidos
19 de janeiro: um dia histórico.
Pessoalmente, não sou o tipo de pessoa que dorme em dias históricos, ainda mais quando esses dias significam muito para mim. Se eu dei sorte, dormi esta noite umas 3 horas, o que é completamente fora do meu padrão de sono de férias. E, agora cá estou em frente ao pc para escrever um pouco sobre um mito, uma história, uma mulher nada convencional.
Mas o que posso eu dizer sobre Elis Regina? Que direito tenho? Não sei responder e nem me preocupo em lhe responder estas questões. Sei que a voz mais potente do Brasil acompanha-me desde os meus primeiros dias no útero de minha mãe. Sei que eu não seria nem de perto a pessoa que sou hoje se não tivesse escutado aquela voz e posso afirmar que a música brasileira, em geral, teria muitas páginas a menos nas partituras do seu concerto se Elis não tivesse existido.
Elis, a menina tímida no comportamento era dona de uma potência vocal sem vergonha de ser potente. E a timidez não era páreo para a imensidão de alma que morava dentro daquele corpo de 1,53 m de altura. Era só abrir a boca e pronto: os ouvidos se inclinavam para escutá-la e toda aquela força, aquela vida, aquela intensidade sem medidas eram liberadas e doadas para o público.
Em minha vida, sempre soube que somente os bobos não mudam de opinião. As mudanças fazem parte da vida e nosso aprendizado para qualquer assunto, principalmente para enfrentar o mundo lá fora da janela, depende de nossas mudanças. E Elis não era boba. Por isso mudava tanto, era tão inconstante. Era muita vida que circulava dentro dela, e essa circulação não poderia parar. A renovação tinha que ocorrer sempre e a charmosa estrábica sabia disso.
Agora, imaginem a dificuldade de todos para entender que a Pimenta era ardida só quando queria. Nós, todos nós, que estamos acostumados a ficar estancados em algum momento da vida, vendo esta passar e morrendo de medo da renovação, não conseguiremos jamais entender o que fazia o coração de Elis bater. É complexo e intenso demais para nós. Ninguém, nem mesmo a Elis saberia dizer. Dessa forma, como poderíamos afirmar qualquer coisa sobre a cantora ou a mulher, a não ser que seu talento é inigualável e único, totalmente único na música brasileira e, quiçá, na música internacional?
O que sabemos (e o que não sabemos) de Elis é tudo o que ouvimos das pessoas que conviveram com ela e são histórias de pessoas que participaram de uma parte da história dela. Nunca saberemos tudo que marcou a alma de Elis, mas saberemos tudo que Elis deixou marcado em nossos corações. Apesar de eu sempre valorizar muito as letras das canções para considerar a emoção que irei sentir e tal, aprendi com a maior cantora do Brasil que a interpretação também é capaz de deixar marcas, capaz de me fazer entender o que a música passa além do que meus ouvidos sentem. Elis é uma espécie de sinestesia. Só de ouvi-la, você consegue vê-la, e só de vê-la, seus “olhos ouvem-na”. Elis é basicamente isso: esse tudo inexplicável. Uma história que mudou a minha vida e que, com certeza, mudou a sua, mesmo que você não saiba.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Não é só uma opinião
Acompanho há algum tempo alguns dos protestos mais famosos e pouco ou mal noticiados na mídia brasileira, como os protestos na USP, em Teresina e em São José dos Campos. E uma dúvida tem me assombrado: por que o Estado se preocupa tanto em lutar contra os protestos populares? E não se trata de uma luta pacífica, muito pelo contrário. Não pergunto como se eu não soubesse a resposta, pergunto para que o leitor se faça essa pergunta. Não me interessa saber se você (perdoe-me a intimidade) é ou não a favor dos acontecimentos na USP, da ocupação do terreno de Pinheirinho em 2004, ou se acha que a passagem de ônibus deve aumentar conforme a inflação. O que eu quero saber é se você já se perguntou: o Estado se importa com qual parcela da população? Com aquela parcela pobre, aquela parcela que deixará de comprar um filãozinho no dia ou na semana para sua família porque os centavos para o pão serão direcionados para chegar ao trabalho que, muitas vezes, é informal e cujo salário não terá o aumento de acordo com o salário mínimo, e mesmo assim andará em pé e sem o menor conforto durante uma hora ou mais até chegar ao local de trabalho ou no próximo ponto de ônibus? Com aquela parcela que não tem um teto, que suou muito para poder construir um barraco de madeira para abrigar a família e não deixar os filhos ao relento? Ou com aquela parcela que tanto lutou e luta contra os resquícios da Ditadura Militar, para assegurar a autarquia das Universidades? Penso que o Estado se importa mais com os lucros dos grandes empresários das empresas de ônibus, com as posses territoriais de quem mal cuida de seus terrenos. E, sim, o Estado se importa em manter sua autoridade na cadeira da reitoria da maior faculdade do país.
A nossa Constituição permite que tenhamos o direito a manifestos populares, e, mesmo assim, os governantes usufruem dela para nos negar esse direito, ao afirmarem que quando o exercemos em vias públicas com grande circulação de pessoas acabamos atrapalhando o livre direito de ir e vir. Leitor, você realmente acredita que se trata da defesa deste último direito? Pois eu afirmo que nossa circulação pelo território nacional não é de interesse dos que estão no Congresso, nas câmaras e outros antros políticos. Afirmo que não podemos (e digo na primeira pessoa do plural fazendo referência aos estudantes, sindicalistas, sem-tetos e qualquer outro grupo de pessoas declaradas livres pela Constituição) protestar em grandes vias públicas porque dessa forma nossas exigências, nossas defesas seriam ouvidas por mais pessoas e acabariam por tomar conta dos ouvidos do povo. Não, nós não podemos ter tanta abertura. É muito perigoso... para o Estado. Mas é claro que, em pleno século 21, os governantes não podem deixar transparentes seus lados ditatoriais. Nós podemos protestar, mas em algum beco onde não circulem pessoas, onde não possamos ser ouvidos. Aí sim estaremos exercendo nosso direito de protesto e respeitando o direito de ir e vir, sem incomodar ninguém, muito menos os políticos.
E quando nos negamos a deixar as pessoas na alienada surdez das grandes vias? Aí mandam os senhores policiais para nos calar. E não somos calados com um simples “psiu”, não. Infelizmente nos negamos a ficar calados, pois já nos bastaram os 20 anos de silêncio forçado. E, assim sendo, começam os lançamentos de bombas de gás lacrimogênio, o avanço da tropa de choque batendo com os cassetetes no escudo para mostrar seu poder de arma, e os cavalos são forçados a nos pisotear. E enquanto isso, na televisão, somos chamados de vagabundos, preguiçosos, invasores e tantos outros substantivos que causam repúdio. Outro modo de tentar calar a voz da população. E é um meio muito eficiente, eu confesso. Afinal, homens engravatados com uma câmera profissional, um bom maquiador e uma boa iluminação no estúdio são muito mais atraentes do que negros, pobres, “hippies” andando na rua, correndo da polícia, segurando faixas, sem contar que o salário também é muito diferente.
Toda a oposição aos direitos do povo ocorre assim. Na verdade, essa oposição é contra um único direito: o direito de saber quais são os deveres do Estado para com a população. O dever de nos garantir moradia, alimentação, educação, saúde e tantos outros. Portanto, resta-nos saber se queremos superar tudo o que é contra nossos direitos. Eu quero, e você?
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Libertos
Sumindo tornou-se presente,
Fugindo fez-se presa.
Ao correr de quem seguia
Sozinha não se encontrou.
A solidão conversava com ela
Amigas de temor e razão
Conviveram, apoiaram-se
E enredaram-se em miséria.
Ele, enquanto só e trocado pela solidão
Vagava avante, sem direção.
Rumava viajante, sem porto, sem embarcação
Aportando em vários corações.
No entanto, não ancorava,
Somente aportava e logo afundava
Em cima de qualquer balcão.
Ela nadava no copo
E com a solidão brindava a desvairada fuga.
No peito sentia um vazio
E por beijos desconhecidos
Partia em busca.
O alento não vinha da saliva,
Não vinha da bebida
E a solidão passou a deixa-la sozinha.
Perturbado, ele se perguntava
No que havia errado
E a resposta não se ouvia.
Em cada encontro
Os ouvidos alheios se transformavam
Em poços dos desejos
nunca realizados.
E sem saber,
Buscavam-se no ato de beber,
Comemoravam a derrota em comum
Em lugares diferentes,
Em semelhantes doses.
Após a incessante busca
Veio o inevitável encontro.
Olho por olho,
Dente por dente,
Copo por copo,
Mente por mente.
O olhar era profundo
O silêncio era mudo,
O copo estava cheio
E a mente estava exausta.
Ali estavam,
Ela foragida dele,
Ele alforriado dela,
Ambos acorrentados
E perdidos na liberdade que ela havia planejado.
Não sabiam que atitude tomar,
Logo pediram a dose para brindar.
E ali, sentados a se olhar,
Beberam até o sol raiar.
O dia surgiu,
Ela levantou-se e saiu
E ele sorriu:
O sentimento, o qual não sabia seu nome,
Não havia se perdido.
Então, pagou a conta e partiu
Para algum lugar vazio e perdido.
Não teria mais notícias,
Não teria mais encontros.
E a vida sozinho seguiu.
Fugindo fez-se presa.
Ao correr de quem seguia
Sozinha não se encontrou.
A solidão conversava com ela
Amigas de temor e razão
Conviveram, apoiaram-se
E enredaram-se em miséria.
Ele, enquanto só e trocado pela solidão
Vagava avante, sem direção.
Rumava viajante, sem porto, sem embarcação
Aportando em vários corações.
No entanto, não ancorava,
Somente aportava e logo afundava
Em cima de qualquer balcão.
Ela nadava no copo
E com a solidão brindava a desvairada fuga.
No peito sentia um vazio
E por beijos desconhecidos
Partia em busca.
O alento não vinha da saliva,
Não vinha da bebida
E a solidão passou a deixa-la sozinha.
Perturbado, ele se perguntava
No que havia errado
E a resposta não se ouvia.
Em cada encontro
Os ouvidos alheios se transformavam
Em poços dos desejos
nunca realizados.
E sem saber,
Buscavam-se no ato de beber,
Comemoravam a derrota em comum
Em lugares diferentes,
Em semelhantes doses.
Após a incessante busca
Veio o inevitável encontro.
Olho por olho,
Dente por dente,
Copo por copo,
Mente por mente.
O olhar era profundo
O silêncio era mudo,
O copo estava cheio
E a mente estava exausta.
Ali estavam,
Ela foragida dele,
Ele alforriado dela,
Ambos acorrentados
E perdidos na liberdade que ela havia planejado.
Não sabiam que atitude tomar,
Logo pediram a dose para brindar.
E ali, sentados a se olhar,
Beberam até o sol raiar.
O dia surgiu,
Ela levantou-se e saiu
E ele sorriu:
O sentimento, o qual não sabia seu nome,
Não havia se perdido.
Então, pagou a conta e partiu
Para algum lugar vazio e perdido.
Não teria mais notícias,
Não teria mais encontros.
E a vida sozinho seguiu.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Juízo
Deus bate o martelo:
o Universo explode,
nascemos (estrelas),
brilhamos (luminosas),
morremos (apagadas)
por culpa do amor e da fé,
por causa do ódio e do dó.
O julgamento começa
e os culpados se dizem inocentes
e a inocência não existe.
Da acusação fugimos
e nela nos encontramos,
juízes e promotores que somos.
Rezamos e remamos
em marcha à ré,
réus que negamos.
Refazemos os pedidos,
remarcamos o horário
e lutamos contra o reinado.
Rumores.
Recuamos (ruidosos),
escondemo-nos (cavernosos),
fugimos (duvidosos),
silenciamos (pecaminosos).
Vítimas culpadas,
flageladas pelo pulsar do próprio coração.
Réus condenados,
vítimas da própria ambição.
o Universo explode,
nascemos (estrelas),
brilhamos (luminosas),
morremos (apagadas)
por culpa do amor e da fé,
por causa do ódio e do dó.
O julgamento começa
e os culpados se dizem inocentes
e a inocência não existe.
Da acusação fugimos
e nela nos encontramos,
juízes e promotores que somos.
Rezamos e remamos
em marcha à ré,
réus que negamos.
Refazemos os pedidos,
remarcamos o horário
e lutamos contra o reinado.
Rumores.
Recuamos (ruidosos),
escondemo-nos (cavernosos),
fugimos (duvidosos),
silenciamos (pecaminosos).
Vítimas culpadas,
flageladas pelo pulsar do próprio coração.
Réus condenados,
vítimas da própria ambição.
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