Sumindo tornou-se presente,
Fugindo fez-se presa.
Ao correr de quem seguia
Sozinha não se encontrou.
A solidão conversava com ela
Amigas de temor e razão
Conviveram, apoiaram-se
E enredaram-se em miséria.
Ele, enquanto só e trocado pela solidão
Vagava avante, sem direção.
Rumava viajante, sem porto, sem embarcação
Aportando em vários corações.
No entanto, não ancorava,
Somente aportava e logo afundava
Em cima de qualquer balcão.
Ela nadava no copo
E com a solidão brindava a desvairada fuga.
No peito sentia um vazio
E por beijos desconhecidos
Partia em busca.
O alento não vinha da saliva,
Não vinha da bebida
E a solidão passou a deixa-la sozinha.
Perturbado, ele se perguntava
No que havia errado
E a resposta não se ouvia.
Em cada encontro
Os ouvidos alheios se transformavam
Em poços dos desejos
nunca realizados.
E sem saber,
Buscavam-se no ato de beber,
Comemoravam a derrota em comum
Em lugares diferentes,
Em semelhantes doses.
Após a incessante busca
Veio o inevitável encontro.
Olho por olho,
Dente por dente,
Copo por copo,
Mente por mente.
O olhar era profundo
O silêncio era mudo,
O copo estava cheio
E a mente estava exausta.
Ali estavam,
Ela foragida dele,
Ele alforriado dela,
Ambos acorrentados
E perdidos na liberdade que ela havia planejado.
Não sabiam que atitude tomar,
Logo pediram a dose para brindar.
E ali, sentados a se olhar,
Beberam até o sol raiar.
O dia surgiu,
Ela levantou-se e saiu
E ele sorriu:
O sentimento, o qual não sabia seu nome,
Não havia se perdido.
Então, pagou a conta e partiu
Para algum lugar vazio e perdido.
Não teria mais notícias,
Não teria mais encontros.
E a vida sozinho seguiu.
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