domingo, 28 de outubro de 2012

Um amor para o fim do mundo




Em tsunamis a arrebentarem
contra a parede que construí
para impedir que tua maré

me invada e me arraste.

Gafanhotos a voarem
destruindo o que resta
de minha plantação
de tulipas e hortênsias,
Margaridas e rosas
prontas para serem colhidas
e formarem meu buquê.

Fome de sal.
Do sal.
Do teu sal.

Em rota de colisão,
pegando fogo,
explodindo por dentro
uma bola incandescente
a queimar de amor.

Um ardor maior que o calor do sol,
tão quente quanto a pele
de teu rosto
a enrubescer-se de timidez.

Congelante qual teu olhar
amadeirado
em mogno...
E cobre.

Que catástrofe és.

E pensar que,
apesar de tudo,
é contigo que
quero passar
o fim do mundo.

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