segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Talvez a canção não tenha sido tão bela
ou não fora suficiente
para agradar-lhe os ouvidos.

Pode ser que os sonhos contados
não puderam ser divididos,
afinal os gostos eram distintos.

Com certeza a  moeda
era velha demais para ter algum valor
e não conseguira comprar a felicidade.

Ou será que os quadros pintados
ficaram desbotados,
as tintas perderam os tons
até que as alegres cores deixassem
a visão triste?

O cansaço tomou conta do corpo,
a preguiça dominou a alma
e a vontade de amá-lo havia sido perdida.

A paixão já não era quente,
o abraço não era apertado,
o beijo não tinha mais sabor.

Titubeou em revelar o sentimento 
que se passava em seu coração.
Do seu olhar perdera-se a direção
e um passo para trás fora dado.

Tinha medo de revelar a causa da negação.
Repudiá-lo causava imensa dor,
porém magoá-lo era mais dolorido ainda.

Como contar-lhe a descoberta de um novo amor?

As lágrimas rolaram pela face,
as pernas tremeram, 
as mãos suaram
e as palavras brotaram
embaralhadas, duvidosas,
verdadeiras.
O alívio causava remorso,
mas era sincero e profundo.

Deixara-o paralisado,
boquiaberto,
mudo.

No silêncio pegou as malas;
no varal estavam as roupas lavadas;
na pia, a louça limpa;
nos móveis a cera brilhava.

Por trás de si a porta se fechara
e os olhos não mais se encontraram.

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