E, como se fosse a primeira vez,
seus lábios se tocaram.
O tempo parecia estático.
As nuvens não se moviam com o vento,
o farfalhar das folhas não era ouvido,
a vitrola ficara muda.
Os corpos dançavam um ritmo desconhecido
aos olhos alheios,
enquanto os olhares daquele casal fixavam-se
atentos, sonhadores, saudosos.
A sincronia das mentes era perfeita.
Tinham os mesmos sonhos,
pensamentos, sentimentos.
Não havia mais no coração
a lembrança da despedida.
Viviam agora apenas aquele
momento de reencontro.
O beijo era mais doce
que o perfume dela;
o sentimento, mais forte
que os braços dele.
E, enquanto o tempo havia
parado dentro de seus corações,
as horas corriam lá fora,
anunciando o momento de ir embora.
As bocas separaram-se,
os olhos lacrimejaram
e a distância doeu novamente.
O medo de perderem-se era constante
e a vontade de amar mantinha-se intensa.
A união teria de dar mais uma pausa.
Relutantes, despediram-se,
fizeram juras,
mantiveram os olhares fixos
até ela virar a esquina.
Um novo encontro já estava marcado,
mas pairava o medo de algo dar errado.
E, nessa dúvida de encontros e despedidas,
renovou-se o penar do amar.
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