Já estava procurando
na luz que entrava pela janela
o brilho daqueles olhos,
sentindo falta do grande amor
que não teve;
buscou o consolo na imaginação.
Quem sabe imaginando-o a seu lado
conseguiria sofrer menos,
valeriam a pena todas as horas perdidas,
todos os dias perdidos.
Todos os pecados cometidos
foram perdoados no caminho
que trilhara sozinha.
Todas as luzes foram acesas
e queimaram-lhe por dentro.
A porta da geladeira abriu-se
e morrera de fome.
Não havia nada de nutrificante
naquele mundinho gélido.
A fome quase fora triunfante,
lutou-se um duelo épico,
seu bem e seu mal
confundiram-se numa só pessoa,
e esta já não entendia o significado
das palavras jogadas na face.
Fora um erro
e tudo não passara disso.
Um erro recapitulado
várias e várias vezes
até encerrar-se nas últimas páginas.
No epílogo um homicídio,
uma fatalidade talvez:
matara o amor que amara uma vez.
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