Não quero que
nem de longe saibas
o que sinto
pois, embora já saibas
me permito enganar-te
fazendo esperar,
tal como espero,
por uma resposta muda
que pode tudo mudar.
Me permito enganar-me
permitindo-me amar sem delongas
visto que já não sei amar
sem teorizar sobre poemas alheios
e tão cheios
de esperar.
sábado, 8 de março de 2014
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Vontade
Tratava-se de uma loucura derradeira
Que no início seria paixão passageira
Mas que, com certa estranheza,
Se deixou ficar.
Ou melhor: roubou um lugar.
Não poderia ser amor
Porque não envolvia penas
Nem borboletas.
Era angústia de sentir
O que não sabia existir
Mas pelo que valeria sonhar.
E sonhava.
Flutuava nas danças que imaginava,
Corria colinas enfeitadas
De esmeraldas e fadas,
E, por alguns instantes,
Até na bondade acreditava.
Mas sabia que o caminho não seria doce,
Pois não havia trilha a ser caminhada
Nem mãos a serem entrelaçadas.
Não haveria só um par de mãos.
Decidiu levantar a cabeça
Que de tanta fantasia enrustida pendia.
Seguiu adiante por um caminho um pouco frustrante
De muitas paixões e pouca certeza.
E assim estava decidido,
Sem determinismo,
Que a vontade de amar
É parte da orgulhosa natureza
De querer se sentir vivo.
Que no início seria paixão passageira
Mas que, com certa estranheza,
Se deixou ficar.
Ou melhor: roubou um lugar.
Não poderia ser amor
Porque não envolvia penas
Nem borboletas.
Era angústia de sentir
O que não sabia existir
Mas pelo que valeria sonhar.
E sonhava.
Flutuava nas danças que imaginava,
Corria colinas enfeitadas
De esmeraldas e fadas,
E, por alguns instantes,
Até na bondade acreditava.
Mas sabia que o caminho não seria doce,
Pois não havia trilha a ser caminhada
Nem mãos a serem entrelaçadas.
Não haveria só um par de mãos.
Decidiu levantar a cabeça
Que de tanta fantasia enrustida pendia.
Seguiu adiante por um caminho um pouco frustrante
De muitas paixões e pouca certeza.
E assim estava decidido,
Sem determinismo,
Que a vontade de amar
É parte da orgulhosa natureza
De querer se sentir vivo.
domingo, 10 de novembro de 2013
Em segredo
Eu tenho uma paixão tão grande no meu peito
que implode-me em desejo
e eu já não sei onde vai dar.
Há quem diga que paixão é sinônimo de medo
e há quem afirme que o medo é sonoro
para aqueles que não ousam se entregar.
Na recusa da entrega,
seguem amantes, delirantes, afobados
sem rumo, num caminho amaldiçoado,
de perda e teorias.
Teorias diagnosticadas
em peitos palpitantes,
vasos estourados,
amor delirante.
Encontro-me no derrame
de quem se esquece perdido
no desejo louco e varrido
de um peito inchado de amar.
Sufocado em medo,
afogado em paixão,
preso em celas
de um segredo
em meio a multidão.
Multidão de doentes
apaixonados loucamente,
entregues ao desejo
que os consome por dentro
sem jamais se revelar.
que implode-me em desejo
e eu já não sei onde vai dar.
Há quem diga que paixão é sinônimo de medo
e há quem afirme que o medo é sonoro
para aqueles que não ousam se entregar.
Na recusa da entrega,
seguem amantes, delirantes, afobados
sem rumo, num caminho amaldiçoado,
de perda e teorias.
Teorias diagnosticadas
em peitos palpitantes,
vasos estourados,
amor delirante.
Encontro-me no derrame
de quem se esquece perdido
no desejo louco e varrido
de um peito inchado de amar.
Sufocado em medo,
afogado em paixão,
preso em celas
de um segredo
em meio a multidão.
Multidão de doentes
apaixonados loucamente,
entregues ao desejo
que os consome por dentro
sem jamais se revelar.
domingo, 27 de outubro de 2013
Se você
Se você soubesse do que meu amor é feito
deixaria de procurar defeitos
e os mínimos erros
seriam teu norte e teu sul.
Se você compreendesse
que o suor escapa do corpo para encontrar outro corpo
e que o beijo é sempre o mesmo
e que o que muda é o amor,
não deixaria escapar a oportunidade
de ter liberdade de amar.
Ah, se você fosse mais você
e não ligasse para o que os outros pensam,
correria para o meu abraço
e não deixaria correr o ponteiro.
Afinal, se já não temos muito tempo,
por que continuamos a perdê-lo?
Ora, venha logo me encontrar em ti.
deixaria de procurar defeitos
e os mínimos erros
seriam teu norte e teu sul.
Se você compreendesse
que o suor escapa do corpo para encontrar outro corpo
e que o beijo é sempre o mesmo
e que o que muda é o amor,
não deixaria escapar a oportunidade
de ter liberdade de amar.
Ah, se você fosse mais você
e não ligasse para o que os outros pensam,
correria para o meu abraço
e não deixaria correr o ponteiro.
Afinal, se já não temos muito tempo,
por que continuamos a perdê-lo?
Ora, venha logo me encontrar em ti.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Sobre ser grata
Quem poderá ser verdadeiramente grato ao amor
Quando tão pouco se sabe amar?
Será possível agradecer a quem se ama
Pelo amor dado de bom grado
Pelo olhar, pelo afago,
Sem o desabafo de contar
Que o amor pode ser muito maior
Do que o amado se põe a sonhar?
Gratidão é matéria líquida
É amor diluído em sorrisos e olhares
É o brilho em meio às sombras da desesperança
É arpão que atravessa o casco de quem se recusa amar.
Como alguém pode recusar o amor?
Nos seus olhos
A cada dia vejo meu sorriso espelhado
E no seu sorriso vejo certo amor estampado.
Nos olhos dela
Vejo a luz de quem ama
Sem precisar ser correspondida.
Das bocas deles
Ouço as palavras necessárias
Para seguir pelas estradas da vida.
A ti, a ela, a vós sou grata
Pelos sorrisos, olhares e vozes
De quem pouco fala que ama
E muito demonstra que transcende.
A gratidão está presente
na forma de demonstrar o amor que se sente.
Quando tão pouco se sabe amar?
Será possível agradecer a quem se ama
Pelo amor dado de bom grado
Pelo olhar, pelo afago,
Sem o desabafo de contar
Que o amor pode ser muito maior
Do que o amado se põe a sonhar?
Gratidão é matéria líquida
É amor diluído em sorrisos e olhares
É o brilho em meio às sombras da desesperança
É arpão que atravessa o casco de quem se recusa amar.
Como alguém pode recusar o amor?
Nos seus olhos
A cada dia vejo meu sorriso espelhado
E no seu sorriso vejo certo amor estampado.
Nos olhos dela
Vejo a luz de quem ama
Sem precisar ser correspondida.
Das bocas deles
Ouço as palavras necessárias
Para seguir pelas estradas da vida.
A ti, a ela, a vós sou grata
Pelos sorrisos, olhares e vozes
De quem pouco fala que ama
E muito demonstra que transcende.
A gratidão está presente
na forma de demonstrar o amor que se sente.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Bagagem
Deve-se pensar
se a experiência advinda da idade
não acaba por matar
a esperança dos mais velhos.
Aprofundemos e pensemos
se acaso não é a impulsividade da juventude
que move o mundo,
pois no jovem
o medo de errar
é diretamente proporcional
à quantia de verões.
Não desfaço da bagagem
que trazes,
menos jovem senhor,
mas questiono
se esta mala abarrotada de medos e experiências
não pesa demais
quando precisas correr para pegar o trem.
Nós,
mais jovens,
carregamos cargas mais leves
de experiências talvez menos experientes,
e dramas mais intensos.
Nós, mais jovens,
trazemos os olhos rasos d'água,
somos propensos a derramar mais lágrimas,
talvez por sermos menos embrutecidos.
E acaso não são as águas
que movem os moinhos?
Alegre-se, senhor,
por nossa carga ser mais leve.
Não, não nos menospreze.
No fundo
somos todos jovens,
mas nós,
mais jovens,
somos mais leves,
quase lebres
a tentar saltar sobre os muros
que rodeiam tua essência.
Obrigada por tudo que ensinastes,
senhor.
Tuas experiências muito nos valem,
mas nossas esperanças muito nos movem.
Venha, senhor,
alivie-se um pouco de sua bagagem.
O trem logo parte,
e queremos nós todos dentro dele.
A estação final ainda não está definida,
mas tem um nome qualquer
quase semelhante a "vida".
Se não me engano, senhor,
a estação é Primavera.
se a experiência advinda da idade
não acaba por matar
a esperança dos mais velhos.
Aprofundemos e pensemos
se acaso não é a impulsividade da juventude
que move o mundo,
pois no jovem
o medo de errar
é diretamente proporcional
à quantia de verões.
Não desfaço da bagagem
que trazes,
menos jovem senhor,
mas questiono
se esta mala abarrotada de medos e experiências
não pesa demais
quando precisas correr para pegar o trem.
Nós,
mais jovens,
carregamos cargas mais leves
de experiências talvez menos experientes,
e dramas mais intensos.
Nós, mais jovens,
trazemos os olhos rasos d'água,
somos propensos a derramar mais lágrimas,
talvez por sermos menos embrutecidos.
E acaso não são as águas
que movem os moinhos?
Alegre-se, senhor,
por nossa carga ser mais leve.
Não, não nos menospreze.
No fundo
somos todos jovens,
mas nós,
mais jovens,
somos mais leves,
quase lebres
a tentar saltar sobre os muros
que rodeiam tua essência.
Obrigada por tudo que ensinastes,
senhor.
Tuas experiências muito nos valem,
mas nossas esperanças muito nos movem.
Venha, senhor,
alivie-se um pouco de sua bagagem.
O trem logo parte,
e queremos nós todos dentro dele.
A estação final ainda não está definida,
mas tem um nome qualquer
quase semelhante a "vida".
Se não me engano, senhor,
a estação é Primavera.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Escaras que libertam,
Escadas que elevam,
Estafas que ensinam,
Eis-me aqui,
Aprendiz da vida.
O sangramento não é mais
Que pulso firme de vida
A correr pelo corpo
E além deste.
As palavras nada mais são
Que ventos dirigidos
a partidos
E razões.
Não sou barreira
Para impedir que teu olhar me atravesse.
Não sou ribeira
A escoar para ti
As águas que brotam de mim.
Mas sou vida
E ampla
Viga
Manta
Que te cobrirá
Quando de acalanto precisar.
Sou céu,
Seu,
Um mel
nem tão doce assim.
Bem-querer de mim.
Escadas que elevam,
Estafas que ensinam,
Eis-me aqui,
Aprendiz da vida.
O sangramento não é mais
Que pulso firme de vida
A correr pelo corpo
E além deste.
As palavras nada mais são
Que ventos dirigidos
a partidos
E razões.
Não sou barreira
Para impedir que teu olhar me atravesse.
Não sou ribeira
A escoar para ti
As águas que brotam de mim.
Mas sou vida
E ampla
Viga
Manta
Que te cobrirá
Quando de acalanto precisar.
Sou céu,
Seu,
Um mel
nem tão doce assim.
Bem-querer de mim.
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