Cansa.
Sim,
como cansa.
Por um momento a esperança
se esvai,
escapulindo pelas mãos,
coração,
ombros
cansados.
A esperança beira o chão.
E não há luz.
Mas aí
qualquer sorriso
que aparece assim
sem aviso
ilumina todo o saguão.
E um grito forte
brota do peito,
rasga a garganta,
treme paredes:
CONSEGUIMOS!
Parece pouco
tudo o que foi feito,
tudo que se pode fazer.
O passado nos dá
belos exemplos
de como queríamos ser.
E nos esquecemos do que somos,
do que mudamos,
do que salvamos.
Às vezes,
quando tudo parece esgotado
e o cansaço pesa nos ombros,
precisamos ter fé:
no invisível,
no insensível,
ou mesmo num simples sorriso.
sexta-feira, 1 de março de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Como amar menos
tudo que for seu,
palavras, ações,
tesões,
aprisione dentro de si.
Feche-se.
Tranque qualquer porta,
vede qualquer fresta
pela qual um olhar qualquer possa entrar.
E deixe crescerem arestas.
Assim,
elas rasgam aos poucos
relembrando cada sufoco
daquele muito amar.
Segundo:
sorria.
Sorria para todos
um sorriso sonso
mas não tão morto
quanto quem está por trás.
Bom hálito é essencial.
Terceiro
e não menos especial:
engane-se.
Minta para si
dizendo que não há nada de errado
em não mais amar
por ter amado demais.
Afirme-se,
negando-se o direito de viver.
Desfaleça
antes de cada beijo,
cheiro,
desejo
que insista em fazê-lo amar.
Esqueça de si,
posto que, se não pode mais mais amar,
não se pode mais viver.
Sobre gostar
Semelhante a lambuzar-se
ao olhar para o objeto de desejo,
como se fosse sorvete,
devorando-o aos poucos
e tomando cuidado para não perder uma gota.
Mas não refresca...
Ferve.
Arde qualquer coisa no peito
e o coração bate acelerado
quando sente a energia da coisa.
O desejo é visível aos olhos
e tremular das mãos.
Um ser dominador
invade o ser
e você não se reconhece.
Algo como uma branda possessão
toma-lhe o ser
e você quer,
deseja,
grita
como uma criança mimada
escondida em uma branda face
que não entrega a loucura
que se passa
quando a luz invade a pupila.
E o controle?
Ah, o mundo todo crê
que você está controlada,
e ninguém,
a não ser você mesma,
percebe o quanto está mudada.
Ninguém sabe,
mas você gosta.
ao olhar para o objeto de desejo,
como se fosse sorvete,
devorando-o aos poucos
e tomando cuidado para não perder uma gota.
Mas não refresca...
Ferve.
Arde qualquer coisa no peito
e o coração bate acelerado
quando sente a energia da coisa.
O desejo é visível aos olhos
e tremular das mãos.
Um ser dominador
invade o ser
e você não se reconhece.
Algo como uma branda possessão
toma-lhe o ser
e você quer,
deseja,
grita
como uma criança mimada
escondida em uma branda face
que não entrega a loucura
que se passa
quando a luz invade a pupila.
E o controle?
Ah, o mundo todo crê
que você está controlada,
e ninguém,
a não ser você mesma,
percebe o quanto está mudada.
Ninguém sabe,
mas você gosta.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Amar: verbo insaciável indiscreto
Amar é sentir-se no outro
e sentir cada olhar
como um passo rumo ao paraíso
de canções e aflições
presas num rebuliço
chamado coração.
Inspira cor,
expira dor
a cada passo
que se dá
em busca de qualquer imagem
abraço
e saudade
que se possa registrar.
É sofrer calado
mas não calado o suficiente,
a ponto de mostrar-se
insatisfeito,
infelizmente,
com a ausência do amado.
É dar-se demais,
recebê-lo de menos,
pois o amor é insaciável.
e sentir cada olhar
como um passo rumo ao paraíso
de canções e aflições
presas num rebuliço
chamado coração.
Inspira cor,
expira dor
a cada passo
que se dá
em busca de qualquer imagem
abraço
e saudade
que se possa registrar.
É sofrer calado
mas não calado o suficiente,
a ponto de mostrar-se
insatisfeito,
infelizmente,
com a ausência do amado.
É dar-se demais,
recebê-lo de menos,
pois o amor é insaciável.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Sobre a sutileza de ser
Seja,
Respire esse ar
Que está disponível
E invisível por aí.
Respire-me.
Esteja,
Ponha seus pés
Nas nuvens e caminhe
Na delicada aura que brota do ser.
Resida,
Morra em si e só para si
Assim como tendo a morrer por você.
Descanse,
Pouse seus braços em estofados e coxas
E embale-se em mim.
Seja
Essa coisa boba assim,
Esbelta assim,
Somente assim
Qualquer coisa
Só para mim.
Respire esse ar
Que está disponível
E invisível por aí.
Respire-me.
Esteja,
Ponha seus pés
Nas nuvens e caminhe
Na delicada aura que brota do ser.
Resida,
Morra em si e só para si
Assim como tendo a morrer por você.
Descanse,
Pouse seus braços em estofados e coxas
E embale-se em mim.
Seja
Essa coisa boba assim,
Esbelta assim,
Somente assim
Qualquer coisa
Só para mim.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Outros trapos
Em cada olhar que posso ver
E rabiscar o seu olhar
Pra admirar o que você me parecer.
E nessa angústia de cantar
Em plena Augusta
A procurar por qualquer um
Que lembre você.
E a me enrolar
Em meus lençóis
Que antes só cobria a nós
Fervorosos a amanhecer.
E sentir
Qualquer coisa assim
Semelhante a um arrepio
Que só o seu era capaz de me fazer tremer.
E chorar
Pleno sal e sol
A irradiar
Apagando nossas vãs lembranças.
E escrever
Qualquer coisa que vá até você
Que não irá entender
Pois ainda é tolo.
E consolar-me
Em outros braços
Outros trapos
Que não sejam os seus.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Linhas sobre saudade
Saudade é aquele fogo
Que faz ferver os olhos
É um jogo
De quem ama
Pra quem sabe
Ou não.
Saudade é felicidade
De ver sempre aquele sorriso
Capaz de alegrar manhãs,
Apaziguar tardes,
Anoitecer amores.
Saudade dói
E faz doer o peito
Ao ver-se só,
Na ausência
Do motivo de existir.
Saudade é linha
Que deu nó
Apertando olhos,
Bocas,
Lençóis.
Saudade é sonho
E pesadelo de quem sente falta
De quem se foi há algumas horas.
Saudade é isso
Um aperto,
Um chorinho,
Um rebuliço,
E a doce lembrança de um sorriso.
Que faz ferver os olhos
É um jogo
De quem ama
Pra quem sabe
Ou não.
Saudade é felicidade
De ver sempre aquele sorriso
Capaz de alegrar manhãs,
Apaziguar tardes,
Anoitecer amores.
Saudade dói
E faz doer o peito
Ao ver-se só,
Na ausência
Do motivo de existir.
Saudade é linha
Que deu nó
Apertando olhos,
Bocas,
Lençóis.
Saudade é sonho
E pesadelo de quem sente falta
De quem se foi há algumas horas.
Saudade é isso
Um aperto,
Um chorinho,
Um rebuliço,
E a doce lembrança de um sorriso.
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