Para ela
sua presença era insubstituível
e seu beijo, imperdível.
Provavelmente, o ar não lhe era tão necessário
uma vez que o perdia a cada encontro.
Cega, surda e muda,
ficava a cada visão,
som e pergunta.
Obedecia-lhe o ritmo,
dançava seu passo,
cantava para ser ouvida por ele
somente.
Para ele,
sua voz era inaudível
e sua dança, incompatível.
Ela não lhe era tão necessária,
já que só não se sentia sozinho.
Infeliz, sonolento e desanimado
ficava a cada encontro,
ligação e mensagem.
Não respondia suas perguntas,
perdia o ritmo,
tampava os ouvidos a sua música
ausente.
Ela corria, ele fugia.
Ele desligava, ela tentava.
Ele era o não e ela o por favor.
Um Yin-Yang sem sentido e complemento.
Eram uma verdade
que a iludia e bastava;
uma mentira
que ele detestava, mas mantinha.
sábado, 22 de setembro de 2012
Samba de vontade
A saudade é um bocado de tristeza
que faz bem e mal também,
mas é da nossa natureza
sentir falta de alguém.
E esse alguém
também sente
uma falta de carinho,
uma falta de ter gente
ali dentro do seu ninho.
Já está cansado de ser sozinho,
já está a procura de abrigo
um abraço, um beijinho
e não só um ombro amigo,
mas um aperto de amor.
E de amor e verso-amor
ele vai seguindo com a dor
cansado de ser sozinho
à procura de carinho
e de alguém que também procure
por um pouco de paixão,
um pouco de saudade,
um pouco de felicidade,
um cadinho de amor.
que faz bem e mal também,
mas é da nossa natureza
sentir falta de alguém.
E esse alguém
também sente
uma falta de carinho,
uma falta de ter gente
ali dentro do seu ninho.
Já está cansado de ser sozinho,
já está a procura de abrigo
um abraço, um beijinho
e não só um ombro amigo,
mas um aperto de amor.
E de amor e verso-amor
ele vai seguindo com a dor
cansado de ser sozinho
à procura de carinho
e de alguém que também procure
por um pouco de paixão,
um pouco de saudade,
um pouco de felicidade,
um cadinho de amor.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
"Eva viu a uva."
seu sabor nunca sentiu,
mas ela viu.
Estava posta sobre a banca
longe do alcance de suas mãos,
próxima o suficiente de seu olhar.
Saboreava-a.
A uva ali parada
fôra colhida e posta à venda.
Desejava ser alimento,
seu bom gosto era destinado a isso.
Não percebia a admiração
brilhando de fome nos olhos de Eva,
mas desejava lhe pertencer.
Desejo mútuo,
desejo contido.
Eva controlava-se para
não tomá-la para si.
Continha-se. Massacrava-se.
Salivava.
Ela e a uva ali.
Ambas proibidas de se pertencerem.
próxima o suficiente de seu olhar.
Saboreava-a.
A uva ali parada
fôra colhida e posta à venda.
Desejava ser alimento,
seu bom gosto era destinado a isso.
Não percebia a admiração
brilhando de fome nos olhos de Eva,
mas desejava lhe pertencer.
Desejo mútuo,
desejo contido.
Eva controlava-se para
não tomá-la para si.
Continha-se. Massacrava-se.
Salivava.
Ela e a uva ali.
Ambas proibidas de se pertencerem.
Boticário
"Não deveria escrever por você. Não deveria nem ao menos
sofrer, imagine então escrever. Mas é o modo que encontro de, sei lá porque,
divagar sobre querer ou não você."
Acho que não.
Acho que não quero.
Acho que não merece.
Acho que não sustento.
Não quero esquecer,
não quero deixar,
não quero deixar
pois não me sustento
por gostar tanto assim de você.
Dane-se.
É assim que é:
no fundo eu acho,
aqui dentro eu quero,
minha mãe acha que mereço,
mas ninguém aposta que eu aguento.
Eu acho que vai
durar o suficiente para logo acabar
e que vai acabar quando
o que durou não mais sustentar.
Querer eu quero,
sempre quis, assim como você,
assim como qualquer um
ser um pouco, talvez um muito
feliz.
Minha mãe te acha o máximo
modéstia a parte, culpa de minha propaganda.
Falei que você era remédio;
se falasse que era droga,
teria que entrar em tratamento.
Isso é vício,
ninguém aposta por isso.
É arriscado,
e gostar assim
já não é tolerado,
nem para você
nem para mim.
Deixe.
Deixe passar.
Mas ajude,
ajude a curar.
Afinal você é o remédio, lembra?
O problema é que
tomei-o em altas doses,
viciei
e agora você é contra-indicado.
Faz-me mal.
Mas, lá no fundo,
me faz um bem danado.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Redescobrindo
“Eu tô tão feliz que chega a doer”. É com essa frase que
começo este texto.
Há quem diga que somente as tristezas e desilusões que
carregamos no peito chegam a doer. Não penso, muito menos sinto que isso seja
verdade. Eu estou sim com dores de felicidade.
Não consigo explicar o porquê dessas dores que sentimos ao
estarmos felizes. Tenho a leve impressão que são decorrentes da saudade que
fica dos momentos-sorrisos, daqueles breves instantes nos quais o tempo
simplesmente pára e tudo o que passa a existir no mundo são bocas e olhos
iluminados. Mas... É só uma impressão. O sentimento e a dor pertencem a cada
um.
As minhas são do tipo que mencionei acima. E são também
daquele tipo de dor de quem é pressionada contra a grade durante 5 horas de show.
Aperto, suor, postura incorreta, tudo o que parece extremamente desconfortável.
O corpo sofre. Enquanto isso o coração pula, bate, estremece, comemora e se
abre ao som de uma voz que, sabe-se lá como, toca-o há 9 anos. Impossível
narrar como e o que é essa odisseia de emoções.
Tive a honra de estar presente na maior homenagem já feita à
maior cantora do Brasil. Sim, a maior homenagem já feita. Quando digo “a maior”
claramente me refiro ao amor que conduziu aquelas vozes presentes no Credicard
Hall, em São Paulo. O amor dos fãs da mãe e dos fãs da filha; acima de tudo, o
amor da filha. Maria Rita soube o tempo certo para mostrar que suas semelhanças
com Elis não são unicamente genéticas; são morais. O respeito com o público, o
carinho ao falar da mãe que tão cedo partiu deste planeta, o sorriso e a alegria
ao ver que realizou muito bem o dever de levar Elis às novas gerações e de
resgatá-la na memória do público mais velho. Maria tomou para si a tarefa de
ajudar o Brasil a redescobrir Elis. Tarefa que parecia difícil, ainda mais no
chamado “país sem memória”. No entanto, essa tarefa não começou com o primeiro
show do projeto “Viva Elis”, em Porto Alegre. Começou quando Maria Rita surgiu
no cenário musical, premiada com um Grammy antes mesmo de lançar seu primeiro
cd. Muitas pessoas redescobriram Elis ao descobrirem Maria Rita, quando
quiseram saber quem era aquela jovem cantora que surgia com suas singularidades
e semelhanças.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Respira fundo...
Respira fundo, vai. Desencanta o encantamento e chora o que precisar.
Respira fundo, vai. Sofra até não poder mais; deixa a dor rasgar. Parece que rasgando ela fica mais presente, e quanto mais presente, mais intensa. E quanto mais intensa, mais apaixonada é.
Respira fundo e vai. Caminha mesmo sem saber para onde ir. Deixa-se levar, rasgando e flutuando, como a folha carregada de histórias rabiscadas segue na tempestade.
Vai, respira fundo. Puxa para dentro de si todo o ar que te faz viver; expira toda aquela mágoa que sufoca e aperta dentro do peito.
Respira fundo. E tenta esquecer. Já que não tem mais jeito, tenta esquecer.
Vai...
Respira fundo, vai. Sofra até não poder mais; deixa a dor rasgar. Parece que rasgando ela fica mais presente, e quanto mais presente, mais intensa. E quanto mais intensa, mais apaixonada é.
Respira fundo e vai. Caminha mesmo sem saber para onde ir. Deixa-se levar, rasgando e flutuando, como a folha carregada de histórias rabiscadas segue na tempestade.
Vai, respira fundo. Puxa para dentro de si todo o ar que te faz viver; expira toda aquela mágoa que sufoca e aperta dentro do peito.
Respira fundo. E tenta esquecer. Já que não tem mais jeito, tenta esquecer.
Vai...
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Para ela
Não bastava apenas aquilo
Não bastava viver intensamente sem conhecer-se, sem conhecê-lo.
Era preciso mais
E para ele o mais dela era imperceptível.
E isso muito era devido a uma alma insensível
Que em seus sonhos pisara sem amor.
Mal sabia ela a dor que afligira aquele peito
Mal conhecia os sonhos desfeitos
E por tal ignorância, insistia em apertar-lhe mesmo sem sentir o antigo ardor.
Pecava por ingenuidade,
Amava uma paixão infantil na qual não se via não amada.
Mas quando a frieza do olhar enregelava seu coração,
Sentia-se sem tango, sem fulgor, sem ação.
E por tal arrepio que sentia ao tocar aquele homem gélido
Insistia em esquentá-lo com beijos cujo calor perdeu-se em polar.
Sabia que era impossível achar o amor que não perdera,
Ainda mais agora que descobria que nunca tivera lhe pertencido.
Mas os bons momentos existiram, relembrando e aflorando em seu peito a esperança
Aquela mesma espera na qual se baseou para corresponder ao sorriso
Que julgara ter sido dirigido só para ela.
Ah se antes soubesse que simpatia
Era sua característica particular,
Não tinha se deixado levar por aquela intensa vontade de amar.
Não bastava apenas aquilo
Não bastava viver intensamente sem conhecer-se, sem conhecê-lo.
Era preciso mais
E para ele o mais dela era imperceptível.
E isso muito era devido a uma alma insensível
Que em seus sonhos pisara sem amor.
Mal sabia ela a dor que afligira aquele peito
Mal conhecia os sonhos desfeitos
E por tal ignorância, insistia em apertar-lhe mesmo sem sentir o antigo ardor.
Pecava por ingenuidade,
Amava uma paixão infantil na qual não se via não amada.
Mas quando a frieza do olhar enregelava seu coração,
Sentia-se sem tango, sem fulgor, sem ação.
E por tal arrepio que sentia ao tocar aquele homem gélido
Insistia em esquentá-lo com beijos cujo calor perdeu-se em polar.
Sabia que era impossível achar o amor que não perdera,
Ainda mais agora que descobria que nunca tivera lhe pertencido.
Mas os bons momentos existiram, relembrando e aflorando em seu peito a esperança
Aquela mesma espera na qual se baseou para corresponder ao sorriso
Que julgara ter sido dirigido só para ela.
Ah se antes soubesse que simpatia
Era sua característica particular,
Não tinha se deixado levar por aquela intensa vontade de amar.
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