quinta-feira, 20 de setembro de 2012

‎"Eva viu a uva."


Ela viu, nunca comeu,
seu sabor nunca sentiu,
mas ela viu.
Estava posta sobre a banca

longe do alcance de suas mãos,
próxima o suficiente de seu olhar.
Saboreava-a.

A uva ali parada
fôra colhida e posta à venda.
Desejava ser alimento,
seu bom gosto era destinado a isso.
Não percebia a admiração
brilhando de fome nos olhos de Eva,
mas desejava lhe pertencer.

Desejo mútuo,
desejo contido.

Eva controlava-se para
não tomá-la para si.
Continha-se. Massacrava-se.
Salivava.

Ela e a uva ali.
Ambas proibidas de se pertencerem.

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