É, meu amigo... Infelizmente eu sou romântica.
E eu adoro.
Detesto romances,
mas adoro esse meu defeito.
Não suporto rumores de paixão,
ou qualquer
barulho ou alucinação.
Mas adoro fantasiar
essa sensação.
É, eu sou romântica.
Assim como sou boba,
sofrida,
louca varrida,
eu sou semântica.
Eu sou romântica.
Mas não doida a ponto de te falar
de fato.
Eu não sou romântica no ato.
Eu sou romântica pra mim.
Pra você?
Pra você
meu pensamento é o que basta.
Não sou muito de palavras,
então não se sinta
meu alvo.
Sou romântica para mim.
Do grito fez-se o engano
lento e pronto a lamuriar.
Do espanto fez-se dano
ao coração ao palpitar.
Leve sono, pronto pranto
a derramar em noites tempestuosas.
Suor que da testa escorre
com o peso do mundo sobre as costas.
Sobre os outros
não há mais o que comentar.
Lentos a vagar,
Parados em achar.
E de achismos
a machismos caminha a humanidade a afundar.
Lerda, sonsa e preguiçosa,
com preguiça de trabalhar
e medo maior de se apaixonar.
Besta massa petulante
com medo de viver.
Cá estou
náufrago em tuas pupilas,
afogado em ti,
menina.
Acaso não me vês,
querida,
cego por ti?
O que queres de mim,
menina?
Que quando te vejo
faz me sentir louco
assim.
Tu te vês,
pequena,
tão linda em mim?
Por onde andas,
paixão,
me deixando aqui
na companhia da solidão?
Cansei de sonhar,
bonita,
e já não consigo mais me resgatar
das teias de tua íris.
Te amo,
meu amor,
embora não admita
carregar tamanho fardo.
Te amar é um fardo,
querida,
que pesa em meus ombros
deixando-me cada dia mais
insensato.
Malditos sejam,
Capitolina,
teus benditos olhos de ressaca.
O amor acaba
e, com ele,
escapa do peito
todo aquele sentimento
sinônimo de sofrer.
Quando o amor acaba
o que resta
é um vazio
preenchido de alívio
do ver-se livre,
e de um sufoco
do ver-se só.
Quando o amor acaba,
na verdade,
adormece,
entra em coma,
vegeta.
E, assim, atrofia.
Mas o amor nunca acaba,
pois, se acabasse,
não seria amor.
Se peço para que venhas às sete,
não chegues dez minutos depois,
pois não quero perdê-los
esperando por ti,
ansiando para que estejas magnífico
naquela camisa que te cai tão bem.
Não quero dez minutos de tortura,
angústia que me toma
sem saber de ti,
inventando mil desculpas para teu atraso
e sofrendo por medo de não vires.
Não me torture com teu atraso.
Não me torture com tua ausência de dez minutos,
pois nunca saberemos se aproveitaremos
todo o calor da companhia.
Não sabemos se teremos sempre dez minutos,
e dez minutos sem ti
são meses.
Eu sou muito ocupada
e tu também,
então aproveita-te,
aproveita-me.
Pois é contigo
que quero passar
mais dez minutos.
É por ti que me arrumo dez minutos antes do previsto,
é em ti que meu pensamento está
a cada dez minutos.
E é por isso
que dez minutos,
dez horas
ou dez dias sem ti
são tão longos.
E tudo se resume
e dura uma vida
em apenas dez minutos.
Cansa.
Sim,
como cansa.
Por um momento a esperança
se esvai,
escapulindo pelas mãos,
coração,
ombros
cansados.
A esperança beira o chão.
E não há luz.
Mas aí
qualquer sorriso
que aparece assim
sem aviso
ilumina todo o saguão.
E um grito forte
brota do peito,
rasga a garganta,
treme paredes:
CONSEGUIMOS!
Parece pouco
tudo o que foi feito,
tudo que se pode fazer.
O passado nos dá
belos exemplos
de como queríamos ser.
E nos esquecemos do que somos,
do que mudamos,
do que salvamos.
Às vezes,
quando tudo parece esgotado
e o cansaço pesa nos ombros,
precisamos ter fé:
no invisível,
no insensível,
ou mesmo num simples sorriso.
Primeiro, engula-se:
tudo que for seu,
palavras, ações,
tesões,
aprisione dentro de si.
Feche-se.
Tranque qualquer porta,
vede qualquer fresta
pela qual um olhar qualquer possa entrar.
E deixe crescerem arestas.
Assim,
elas rasgam aos poucos
relembrando cada sufoco
daquele muito amar.
Segundo:
sorria.
Sorria para todos
um sorriso sonso
mas não tão morto
quanto quem está por trás.
Bom hálito é essencial.
Terceiro
e não menos especial:
engane-se.
Minta para si
dizendo que não há nada de errado
em não mais amar
por ter amado demais.
Afirme-se,
negando-se o direito de viver.
Desfaleça
antes de cada beijo,
cheiro,
desejo
que insista em fazê-lo amar.
Esqueça de si,
posto que, se não pode mais mais amar,
não se pode mais viver.