segunda-feira, 14 de abril de 2014

À rapaziada na qual eu acredito

Apesar de todos os pesares
somos todos pares,
ímpares e parceiros
em busca de um sentimento
conhecido como amor.
Nessa parceria rumamos estradas,
navegamos em jangadas,
só para estarmos juntos
no final de cada jornada.
Com vocês eu sempre quis estar
pois sem vocês não haveria amar
e eu não seria o que vim a ser
nesse pequeno trecho de vida
que procuro viver.
Pois amor é isso:
é sinergismo
de encontros, despedidas, reencontros
e sorrisos.

domingo, 6 de abril de 2014

Uma história a ser contada

A tantos que andam 
De ombros arqueados
Pois acharam que amar seria mais fácil
Do que viver por si.

A todos que viram olhares trocados
Tiveram seus beijos roubados
E se entregaram sem sentir.

Hoje fazemos versos molhados em lembranças,
Músicas cantadas por trêmulas vozes
Que temeram perder as memórias
E não poderem mais contar suas histórias.

Afinal, nós somos a melhor história que temos.

Para o resto do mundo
Faço questão de contar o que viemos a ser:
Somos uma eterna lição a se aprender.

Aproveitemos
E para o amor deixemos a porta aberta
Pois só quem é capaz de amar
Pode compreender a dor de ser poeta.

sábado, 8 de março de 2014

Engano

Não quero que 
nem de longe saibas 
o que sinto 
pois, embora já saibas
me permito enganar-te 
fazendo esperar,
tal como espero,
por uma resposta muda
que pode tudo mudar.
Me permito enganar-me
permitindo-me amar sem delongas
visto que já não sei amar
sem teorizar sobre poemas alheios
e tão cheios 
de esperar.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Vontade

Tratava-se de uma loucura derradeira
Que no início seria paixão passageira
Mas que, com certa estranheza,
Se deixou ficar.
Ou melhor: roubou um lugar.

Não poderia ser amor
Porque não envolvia penas
Nem borboletas.
Era angústia de sentir
O que não sabia existir
Mas pelo que valeria sonhar.
E sonhava.

Flutuava nas danças que imaginava,
Corria colinas enfeitadas
De esmeraldas e fadas,
E, por alguns instantes,
Até na bondade acreditava.

Mas sabia que o caminho não seria doce,
Pois não havia trilha a ser caminhada
Nem mãos a serem entrelaçadas.
Não haveria só um par de mãos.

Decidiu levantar a cabeça
Que de tanta fantasia enrustida pendia.
Seguiu adiante por um caminho um pouco frustrante
De muitas paixões e pouca certeza.
E assim estava decidido,
Sem determinismo,
Que a vontade de amar 

É parte da orgulhosa natureza
De querer se sentir vivo.

domingo, 10 de novembro de 2013

Em segredo

Eu tenho uma paixão tão grande no meu peito
que implode-me em desejo
e eu já não sei onde vai dar.

Há quem diga que paixão é sinônimo de medo
e há quem afirme que o medo é sonoro
para aqueles que não ousam se entregar.

Na recusa da entrega,
seguem amantes, delirantes, afobados
sem rumo, num caminho amaldiçoado,
de perda e teorias.

Teorias diagnosticadas
em peitos palpitantes,
vasos estourados,
amor delirante.

Encontro-me no derrame
de quem se esquece perdido
no desejo louco e varrido
de um peito inchado de amar.

Sufocado em medo,
afogado em paixão,
preso em celas
de um segredo
em meio a multidão.

Multidão de doentes
apaixonados loucamente,
entregues ao desejo
que os consome por dentro
sem jamais se revelar.

domingo, 27 de outubro de 2013

Se você

Se você soubesse do que meu amor é feito
deixaria de procurar defeitos
e os mínimos erros
seriam teu norte e teu sul.

Se você compreendesse
que o suor escapa do corpo para encontrar outro corpo
e que o beijo é sempre o mesmo
e que o que muda é o amor,
não deixaria escapar a oportunidade
de ter liberdade de amar.

Ah, se você fosse mais você
e não ligasse para o que os outros pensam,
correria para o meu abraço
e não deixaria correr o ponteiro.
Afinal, se já não temos muito tempo,
por que continuamos a perdê-lo?

Ora, venha logo me encontrar em ti.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sobre ser grata

Quem poderá ser verdadeiramente grato ao amor
Quando tão pouco se sabe amar?
Será possível agradecer a quem se ama
Pelo amor dado de bom grado
Pelo olhar, pelo afago,
Sem o desabafo de contar 
Que o amor pode ser muito maior
Do que o amado se põe a sonhar?


Gratidão é matéria líquida
É amor diluído em sorrisos e olhares
É o brilho em meio às sombras da desesperança
É arpão que atravessa o casco de quem se recusa amar.

Como alguém pode recusar o amor?

Nos seus olhos
A cada dia vejo meu sorriso espelhado
E no seu sorriso vejo certo amor estampado.
Nos olhos dela
Vejo a luz de quem ama
Sem precisar ser correspondida.
Das bocas deles
Ouço as palavras necessárias
Para seguir pelas estradas da vida.
A ti, a ela, a vós sou grata
Pelos sorrisos, olhares e vozes
De quem pouco fala que ama
E muito demonstra que transcende.

A gratidão está presente
na forma de demonstrar o amor que se sente.