sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Um colo para deitar a cabeça




Moça,
ele não te quer,
ele não te ama.
Ele está sossegado
com um colo
ali do lado
pra apoiar a cabeça 
quando quiser.
Ele te tem
e você não o tem.

Ele não é teu,
ele nem sabe o que é ser.
Desencana
que esse jogo tá perdido
pra todo mundo...
Menos pra ele
que tem um colo
ali do lado
pra deitar a cabeça
quando quiser.

Samba curto

Fácil mesmo é fazer um 
samba curto pra você
tão curto quanto o seu amor
e mais alegre do que sou.

O difícil ainda é
te esquecer
brincando de felicidade
sem amor.

E ainda assim
vou seguindo
deixando de lado
sua lembrança
e pagando pra ver
você chorar igual criança
sem doce e sem brinquedo,
ficando a chupar o próprio dedo.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Saudades do Pantanal




Que saudades 
do céu do Pantanal,
onde Vênus ilumina as sombras
ao mostrar o amor naquele quintal.
Onde Martes nos observam
camuflados em aguapés
e onde a correnteza nos arrasta
tal qual maré.
Saudades das revoadas
e cavalarias, 
das quentes madrugadas
e das ararinhas
a cobrirem o céu.
Saudades do calor
a esquentar o coração
antes enregelado por você.
Saudades de não te ver,
saudades de viver
naquele mato,
naquele estado,
longe do seu mal.
Ah, que saudades do Pantanal.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Dom de Errar

Sofro da inquietude dos apaixonados
que aguardam ansiosos
a realização do sonho projetado
sobre o olhar de alguém.

Tenho os tremores
daqueles que explodem
em sistemas solares
recheados de sóis,
esperando jamais ficarem a sós.

Peço por todos os enamorados
cambaleantes e desesperados, 
sedentos da saliva e do calor
das línguas e braços.

Rezo por mim
que deixei me levar
por esse dom de errar
ao gostar de quem não gosta de mim.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Privada



Será que nada vai mudar? 
Parece que, em meio a
toda essa privataria

correndo solta pelo ar,
só a tristeza é coletiva..

Tudo é de um
e o todo nada
é de cada um
que constitui essa massa
abandonada e largada
a Deus-dará.

Nem Deus dá,
ele não pode,
agora é só dos "nobres".
Privatizaram-no.
Vendem-no por centavos,
aluguéis e fiéis
tirando do povo
a fé que antes era gratuita.

Lá fora,
nas paredes atiram ovos,
granadas e tijolos.
Lá fora
tudo está perdido,
ricocheteando e deixando muitos feridos.
Lá fora, aqui dentro
parece que nada toma jeito
e tudo segue a contento
de quem privatizou.

Privatizaram a esperança
e comercializam a desilusão.

TPM




Você é minha TPM. Seu olhar é feito cólica, que me contorce, queima e faz sofrer. E não dá, simplesmente não dá mais. Preciso tomar um Atroveran contra seu olhar. Um Atroveran de sumiço. Preciso perder-me de você, porque perde-lo já não basta. Necessito recuperar meu bom humor, aquele sorriso que você sequestrou. Preciso de alguém que massageie meu ego e me esquente, tal qual bolsa d’água. Alguém com um abraço melhor que o seu... Qualquer abraço de um alguém qualquer. Não deve ser tão difícil de encontrar. E, não, por favor não, nenhum amigo. Já me basta essa novela na qual você ainda se acha meu amigo... Eterno amigo. (Merda! Ainda o considero como tal)

Mas amigos não são TPM... Eles aturam-na. Você é, e nem sei mais se consegue se aturar. Eu não o aturo mais. Embora eu tenha vontade de estar junto a você, não posso. É insuportável... Intolerável! Mesmo necessitando de sua presença para saber-me fértil, sua ausência é necessária.

TPM = Tristeza Por aMar. Triste por você que não sabe o que tá perdendo... E que sabe muito menos o que tá ganhando.  Eu sou mais eu, então por que preciso de você para me sentir viva? Para sorrir? Para ser? Não, não preciso!... Preciso, mas nego. E quando não dá mais para negar, explodo. EXPLOSÃO. Entro em  TPM, pronta para sangrar logo depois. Sangrar em lágrimas e mágoas.

Maldita dor que você é.

domingo, 28 de outubro de 2012

Entreolhares

Cruzamento demarcado,
ponto de encontro de pecado
para olhar e se perder.
Ligação.
Como um raio
a cegar
e um poeta
a se enraizar
nos olhos da musa.
Ardor.
Queima enquanto não desvia;
implora para não desviar.
Sensação.
Deixa de lado a solidão
para perder o chão
no desejo de amar.
Olhar.