quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O poder de um vestido







O poder que um vestido tem
de elevar-se,
mostrando
as pernas,
joelhos
e coxas
de uma mulher
louca para esconder-se
e mostrar-se esvoaçante.

O poder que um vestido tem
de dar-lhe cor
e rubor
ao sentir-se queimada por olhares
em todos os cantos
da cidade
e do vagão do metrô.

O poder que um vestido tem
de se alinhar à silhueta,
de costurar-se em torno
do corpo,
a pedir que o homem desvende
o que se esconde por baixo do pano.

O poder que o vestido tem
de acompanhar-lhe em rebolados
ora em rendas
ou babados,
caminhando pelos olhos
do louco admirador.

O poder que o vestido tem
de enrolar-se no corpo,
nos corpos de ambos,
enroscando-se em amor,
e sendo rasgado com fervor.

O poder que o vestido tem
de mostrar a mulher
ainda mais bela
do que outra peça de roupa qualquer
é capaz de mostrar.

Que poder carrega a mulher
que bota um vestido
e sai a desfilar,
importando-se em, apenas,
deixar-se admirar.

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