Enquanto teu silêncio grita logo a frente,
convocando as mentes à razão,
teus pés marcham em direção ao horizonte.
Lá estão teus sonhos,
meditados na lavoura, na cidade, no negócio.
Para trás deixas os calos, as misérias, as falências.
Segues e o suor escorre pela face,
aquele mesmo suor que irrigou a terra,
lavou a calçada, molhou a cachaça.
Teus olhos brilham ao avistarem o sol
mergulhando nas lágrimas do horizonte.
A estrela afunda, renascendo a cada dia,
ressuscitando a cada escuridão.
Com os primeiros raios,
os rostos irradiam o brilho da esperança,
a esperança hidratada pelo orvalho da manhã.
Nem mesmo na escuridão deixaste de seguir.
E, enquanto o manto estrelado cobriu teus mortos,
levaste as heranças inspiradoras,
carregando as estrelas e o escuro sobre tuas costas.
E, com toda a luta,
com o sofrimento induzindo à derrota,
não desististes.
Quando mais precisastes,
o juazeiro e a araucária forneceram a sombra
para repousares teu corpo cansado.
O cajueiro forneceu a fruta,
apaziguando a fome causada pelas privações impostas.
Com o apoio da natureza,
provavelmente a única a te apoiar nas horas infames,
lutaste contra todo o sistema.
E, seguindo, olhas e enxergas algo luminoso,
diferente do passado e do presente:
um oásis sem tenentes,
um paraíso suntuoso,
um jardim sem poluição ou repressão,
com nações mestiças.
Um jardim cujo nome é
"o futuro com justiça".
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